O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, decidiu nesta terça-feira (1º/9) não atender aos pedidos do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, que solicitava a suspensão de uma propaganda da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A peça publicitária relaciona o senador ao escândalo do Banco Master e se tornou um ponto de discórdia nas eleições.
As solicitações de Flávio Bolsonaro questionam um vídeo de 30 segundos, abordando diferentes formas de exibição. Uma das ações foca nas inserções do material durante a programação da televisão, enquanto a outra contesta sua utilização na abertura do bloco noturno do horário eleitoral de Lula. Nunes Marques ainda avaliará um possível direito de resposta ao senador, que será submetido à análise do plenário do TSE.
No vídeo em questão, a campanha de Lula utiliza trechos de uma entrevista de Flávio e um áudio enviado por ele ao proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, a respeito do financiamento do filme Dark Horse. A propaganda afirma que o senador foi “flagrado pela Polícia Federal pedindo 134 milhões” e conclui com a frase: “Flávio Bolsonaro, não dá para confiar. O pior dos Bolsonaros”.
A defesa de Flávio argumentou que a propaganda mistura informações desconexas para dar a impressão de que ele estaria envolvido nas fraudes relacionadas ao Banco Master. Os advogados do senador afirmaram que a conversa com Vorcaro dizia respeito apenas ao patrocínio do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No entanto, Nunes Marques considerou que não havia justificativa para retirar a propaganda do ar de forma imediata. Ele avaliou que não existem elementos que indiquem “falsidade manifesta ou descontextualização grave” nas informações apresentadas.
O ministro ressaltou que Flávio Bolsonaro reconhece a autenticidade da conversa com Vorcaro e que o diálogo realmente tratava da busca por patrocínio. Para Nunes Marques, a associação feita na propaganda entre o candidato, o banqueiro e o pedido de patrocínio possui fundamento factual.