Por Marissa Freitas, educadora física
Quando uma pessoa começa a treinar força, é comum que a primeira mudança percebida seja física. A roupa começa a vestir diferente, o corpo ganha mais definição, os músculos aparecem e a composição corporal pode se transformar.
Mas limitar os resultados do treinamento ao espelho é deixar de perceber uma parte importante dessa transformação.
Treinar força também pode mudar a forma como uma pessoa se movimenta, realiza suas atividades e percebe as próprias capacidades.
Subir escadas com mais facilidade, carregar uma mala, levantar da cadeira, brincar com os filhos ou simplesmente perceber que determinado exercício que antes parecia difícil agora se tornou possível são conquistas que nem sempre aparecem em uma fotografia, mas fazem diferença na vida.
Existe também uma mudança na relação com o próprio corpo.
Quando percebemos que somos capazes de evoluir, ganhar força e superar dificuldades, podemos deixar de enxergar o corpo pela aparência e começar a reconhecê-lo também pelo que ele é capaz de fazer.
Isso não significa que objetivos estéticos deixem de existir. Eles podem fazer parte da motivação de muitas pessoas e são legítimos. O cuidado começa quando entendemos que a aparência não é a única medida de evolução e que o corpo não precisa ser avaliado apenas pelo que vemos.
O exercício pode oferecer muito mais.
Pode trazer disposição, contribuir para a autonomia, melhorar a capacidade funcional, preservar massa muscular e ajudar a construir uma relação mais positiva com o próprio corpo. Também prepara a pessoa para continuar realizando, com segurança, as atividades da vida.
E existe algo especialmente importante nesse processo: a percepção de progresso.
Nem toda evolução precisa ser medida pela balança.
Às vezes, progresso é aumentar uma carga, melhorar a execução, realizar uma tarefa que antes era difícil ou perceber que o corpo está mais preparado para acompanhar a vida. É ter menos medo de se movimentar, confiar mais na própria capacidade e entender que pequenas conquistas constroem grandes mudanças.
O treinamento de força não precisa ser uma busca por um corpo perfeito. Ele pode ser uma ferramenta para construir um corpo mais preparado, resistente e independente em todas as fases da vida.
Por isso, quando penso em treinamento de força, gosto de lembrar que estamos construindo muito mais do que músculos.
Estamos construindo capacidade.
E capacidade significa liberdade para continuar fazendo aquilo que importa para nós. Significa poder cuidar da casa, trabalhar, viajar, brincar, carregar nossos filhos ou netos e viver a rotina com mais segurança e autonomia.
Talvez a grande transformação do treinamento não esteja apenas em como o corpo passa a parecer, mas em tudo aquilo que ele passa a ser capaz de fazer.
Treinar força pode mudar o corpo. Mas também pode mudar a forma como você vive dentro dele.
Marissa Freitas
Educadora Física
Instagram: @marissafreitas