A Polícia Federal (PF) identificou uma "interferência política direta" do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, na gestão do Banco de Brasília (BRB). O relatório, que foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 28 de setembro e teve o sigilo levantado em 9 de outubro, aponta para uma negociação considerada fraudulenta entre o BRB e o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
De acordo com a PF, Ibaneis, atuando como acionista controlador do BRB, não se restringiu a exercer suas prerrogativas institucionais. Ele estaria diretamente envolvido em várias decisões críticas, incluindo a autorização para o Aumento de Capital, a definição de estratégias de expansão e a validação de decisões operacionais. Essa atuação é caracterizada por uma centralização decisória que demonstra uma interferência política no funcionamento da instituição financeira pública.
O relatório destaca que as comunicações analisadas indicam que decisões importantes eram submetidas à apreciação de Ibaneis antes mesmo de serem discutidas nos órgãos formais de governança. Essa dinâmica revela uma captura institucional, na qual a estrutura de decisão do banco foi manipulada em favor de interesses específicos, comprometendo princípios como a impessoalidade e moralidade.
Em um contexto adicional, o documento da PF examina conversas entre Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e Daniel Vorcaro, nas quais já em outubro de 2024, Paulo Henrique expressa preocupação sobre as repercussões no mercado relacionadas ao Aumento de Capital do BRB, que visa adquirir o Banco Master. Ele enfatiza a necessidade de "dar sinais ao mercado" sobre a operação, que envolveu um montante de R$ 750 milhões na proporção 40/60, previamente aprovada pelo Conselho de Administração.
A análise das mensagens trocadas sugere que a decisão de aumentar o capital estava amadurecida e tratada como uma questão de oportunidade. Paulo Henrique menciona uma demanda crescente por captação em comparação ao lastro disponível, indicando uma possível oportunidade de adquirir a DII do Master, embora o significado de DII não tenha sido esclarecido no texto.
Três dias após essa troca de mensagens, Vorcaro enviou uma comunicação questionando se o BRB estava se tornando sócio do Master. A resposta de Paulo Henrique revela sua preocupação com a possibilidade de que Ibaneis ou outra pessoa envolvida nas negociações tivessem divulgado informações sobre a aquisição. Essa série de interações mostra a tensão e a cautela em torno do processo de aquisição, evidenciando a ligação estreita entre as decisões do BRB e a influência de Ibaneis Rocha.