A Operação Alvitre, realizada pela Polícia Civil de Pernambuco, busca desarticular um esquema de desvio de emendas parlamentares na Prefeitura de Ipojuca e na Câmara Municipal, com um rombo estimado em R$ 27 milhões. A investigação ganhou novos contornos após o assassinato da professora Simone Marques da SILVA, de 46 anos, cuja morte brutal está ligada ao esquema de corrupção.
Imagens obtidas mostram Simone, antes de sua morte, entrando em uma sala com um volumoso pacote verde, onde foi recebida por Diego Fernandes de Oliveira Araújo, então secretário especial de Juventude de Ipojuca. Segundo os investigadores, o vídeo corrobora a rotina de repasses de dinheiro em espécie, provenientes das fraudes. A reportagem tentou contato com o ex-secretário, mas não obteve retorno.
O assassinato de Simone é considerado um ponto de virada nas investigações. A Polícia Civil investiga a possibilidade de que a professora estivesse chantageando pessoas, ameaçando divulgar vídeos e áudios que provariam a corrupção na cidade. Em outubro de 2025, poucos dias após o início da operação, Simone compareceu à Delegacia de Porto de Galinhas para prestar depoimento. No entanto, devido a um atendimento prévio, o delegado Ney Luiz Rodrigues reagendou a oitiva para o dia seguinte, e a professora foi assassinada algumas horas depois.
Na ocasião, o delegado explicou que Simone havia sido intimada para depor, mas não conseguiu atendê-la na data marcada, o que fez com que ela retornasse no dia seguinte, quando foi morta. As investigações revelaram que Simone também fazia parte do esquema, recebendo parte dos recursos desviados. A primeira fase da Operação Alvitre foi deflagrada em outubro de 2025, resultando em três prisões e quatro investigados foragidos.
Em novembro de 2025, a segunda fase da operação culminou na prisão em flagrante do então presidente da Câmara, Flávio do Cartório (PSD), e do vice, Professor Eduardo (PSD), interceptados em um supermercado com maços de dinheiro, levando à perda de seus cargos. A terceira fase ocorreu em setembro de 2026, com a execução de 13 mandados de busca e apreensão em Ipojuca, Cabo de Santo Agostinho e Paulista, mirando os atuais presidente e vice-presidente da Câmara, Irmão Genival (PSD) e Gilmar Costa (Republicanos).
Embora não tenham sido expedidos novos mandados de prisão nesta fase, a Polícia Civil e o Ministério Público continuam a periciar materiais apreendidos nos gabinetes e residências dos investigados, com o intuito de rastrear o destino dos R$ 27 milhões desviados.