O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante um evento realizado no Palácio do Planalto nesta segunda-feira (14/9), revelou que o governo está prestes a anunciar novas medidas relacionadas às apostas, conhecidas como bets. Lula caracterizou essas práticas como uma "doença" e compartilhou relatos de pessoas que se tornaram dependentes, acumulando dívidas significativas devido ao vício.
"Estamos tomando decisões e logo, logo, vamos anunciar a decisão que a gente vai tomar em relação a isso porque é uma doença, não é um jogo. É a indução dos inocentes ao vício", declarou o presidente. Essa fala se seguiu a uma live nas redes sociais no dia anterior, onde Lula já havia manifestado sua posição favorável ao fechamento das plataformas de apostas, embora tenha destacado a necessidade de avaliar as consequências de tal ação.
Na live de domingo (13/9), Lula afirmou que, se fosse apenas por sua vontade, as bets seriam encerradas. Entretanto, ele reconheceu a importância de considerar as implicações que essa decisão poderia acarretar. No mesmo dia, o presidente se reuniu com oito pessoas afetadas pelo vício em apostas, ouvindo histórias impactantes de usuários que apostavam sem o conhecimento de suas famílias, contraíram dívidas e até tentaram suicídio devido à situação.
Lula enfatizou que a ilusão de ganhar na loteria ou em jogos de azar atrai tanto jovens quanto adultos, levando-os a um estado de dependência. "Todo mundo tem a perspectiva de acertar na loteria, acertar alguma coisa. Isso acaba fazendo com que a juventude e também as pessoas mais velhas sejam convencidas, induzidas, a ponto de ficarem doentes e não conseguirem escapar", afirmou.
Nesse contexto, o governo está discutindo a elaboração de uma medida provisória que deverá ampliar as restrições às bets. Embora o texto ainda esteja em desenvolvimento, há considerações sobre a proibição de certos segmentos do setor de jogos. Em junho, Lula já havia assinado um decreto que regulamentou o bloqueio de contas e transações financeiras de operadores ilegais de apostas. Desde a regulamentação do mercado, mais de 25 mil sites clandestinos foram bloqueados, conforme informações do Ministério da Fazenda, com a expectativa de que as novas medidas sejam mais abrangentes.
A nova decisão que será anunciada ainda não possui detalhes divulgados, mas representa uma continuidade do esforço do governo em combater os efeitos nocivos das apostas.