A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de abrir um inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, acendeu um alerta entre os integrantes do PT e da campanha do presidente Lula. A medida, autorizada nesta quinta-feira (30/7), permitirá que a Polícia Federal (PF) investigue alegações de corrupção e tráfico de influência associadas a negócios relacionados à cannabis medicinal, além de possíveis conexões com o Ministério da Saúde.
O caso é especialmente sensível para o PT, pois ocorre em um momento crítico, com as eleições se aproximando em outubro. Há uma preocupação entre os petistas de que essa investigação possa causar desgaste à imagem do presidente, mesmo diante do fato de que, historicamente, as acusações contra Lulinha não resultaram em condenações. Em meio a esse cenário, a estratégia interna do partido parece ser a de manter um discurso que defenda a autonomia da PF, reiterando que, caso sejam encontradas evidências de culpabilidade, Lulinha deve responder por seus atos.
Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., Lula declarou que não usará seu cargo para proteger seu filho. Ele enfatizou que, se Lulinha for acusado de algo, será tratado como qualquer outro cidadão e que não haverá privilégios. O presidente se comprometeu a não interferir na investigação, afirmando que, se a situação demandar, seu filho deverá se apresentar e não ficará em esconderijo.
“Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa, como eu [fui]. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado ou para um juiz não fazer as coisas corretas”, destacou Lula, reafirmando seu compromisso com a legalidade e a justiça.
A investigação, que envolve repasses de R$ 2,3 milhões de empresas sob análise da CPMI do INSS, também levanta questões sobre a estrutura das Empresas de Lulinha, que estão registradas em endereços considerados irregulares, como salas vazias. Essa situação gera ainda mais apreensão entre os aliados do presidente, que temem o impacto político que o caso pode causar em um ano eleitoral tão crucial para o partido e suas alianças.