Um ano após a Dispersão da Cracolândia, que resultou na retirada das aglomerações de dependentes químicos na região central de São Paulo, profissionais e coletivos que atuam na área relatam desafios significativos no atendimento a essa população. A pulverização do chamado "fluxo" tem dificultado, na maioria das vezes, a localização dos usuários, o que impede o andamento das assistências necessárias.
Os relatos sobre as dificuldades começaram a surgir ainda no ano passado, quando profissionais da saúde e assistentes sociais alertaram para os obstáculos impostos pela dispersão. A dificuldade em encontrar dependentes químicos compromete o acesso a tratamentos e serviços de apoio, essenciais para a recuperação e reintegração social.
Atualmente, o atendimento aos dependentes químicos é realizado por meio de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Complexos de Casas Terapêuticas, que têm ampliado suas capacidades. Entre 2024 e 2025, os procedimentos realizados nos CAPS devem aumentar de 1,7 milhão para 1,9 milhão, oferecendo suporte multiprofissional e acompanhamento clínico individualizado.
A Assistência Social também tem sido mobilizada, com a atuação de 1.600 agentes de abordagem, os quais realizaram mais de 42 mil abordagens territoriais em um único mês. O investimento do Estado de São Paulo na estrutura de proteção social da Política Estadual sobre Drogas é de R$ 243,5 milhões, abrangendo o período de 2023 a 2026, e mantém 1,1 mil vagas na Capital e Grande São Paulo em serviços como Complexos de Casas Terapêuticas e Casas de Passagem.
Desde 2020, a Capital ampliou em aproximadamente 80% as vagas de acolhimento noturno, totalizando mais de 27 mil vagas em 374 serviços. Até o momento, os equipamentos de Assistência Social já acolheram mais de 33,9 mil pessoas em situação de risco, reafirmando o compromisso do Governo de São Paulo com o atendimento integral e humanizado à população em situação de vulnerabilidade.