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Crise no Agro, risco de inadimplência, e a aderência a novos empréstimos. Como será a vida do produtor rural na Safra 2027/2028?

A safra 2027/2028 poderá ser marcada pelo “fim do crédito fácil”, dando origem ao temido período pós-crise.

Atualmente, as dívidas oriundas de empréstimos no agronegócio e o risco de inadimplência têm aumentado, levando bancos e cooperativas de crédito a reavaliar sua exposição ao risco.

Em análise do informativo Plano Safra 2026/2027 do IEA-APTA, órgão oficial da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, foi confirmada uma redução de 7,2% (R$ 29,8 bilhões) nos recursos destinados ao custeio e à comercialização. Já a Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) publicou estudo avaliando tecnicamente o Plano Safra 2026/2027, detalhando as fontes de financiamento e a retração real dos recursos. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também emitiu nota oficial manifestando preocupação com os cortes e a redução dos recursos equalizados pelo Tesouro.

Ou seja, há uma redução importante nos recursos destinados ao custeio e à comercialização, o que pode refletir diretamente no próximo ciclo. Somam-se a isso as exigências de novas garantias pelos bancos, como a alienação fiduciária, e a escassez do seguro rural, que se tornou indispensável diante das frequentes perdas climáticas. O orçamento federal para a subvenção do seguro rural sofreu cortes, encarecendo as apólices e dificultando a contratação. Hoje, apenas uma parcela da área plantada do país conta com proteção securitária.

Infelizmente, o agro vem sofrendo com crises externas, alta dos insumos, custos de produção elevados e quedas nos preços internacionais, fatores que, somados ao endividamento, podem comprometer a capacidade do produtor de acessar novas linhas de crédito, especialmente quando a inadimplência se concretiza.

Mas o que fazer diante desse cenário?

A resposta, embora pareça simples, exige uma análise profunda da situação financeira do produtor rural, antes que a inadimplência chegue.

Entre as alternativas disponíveis para o agro, o alongamento das dívidas rurais é uma estratégia de grande valor. Quando presentes os requisitos legais e normativos, pode permitir a reorganização do passivo, readequar os compromissos à capacidade de pagamento e contribuir para a preservação do acesso ao crédito, viabilizando a continuidade da produção.

O produtor precisa de fôlego para atravessar a crise e se preparar para o período pós-crise. Afinal, preservar a atividade produtiva e o patrimônio construído ao longo de anos deve ser prioridade.

Dra. Ana Paula Moreira Mataveli, advogada, atuante no alongamento de dívidas rurais e revisão contratual.

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