A eleição presidencial de 1989 foi marcada pela intensa disputa entre os candidatos, e o ex-governador do Rio, Leonel Brizola, do PDT, enfrentou um momento delicado após perder para Lula. A diferença foi de apenas 0,63% dos votos totais, o que deixou Brizola inicialmente desolado. Contudo, ele logo teve uma ideia que mudaria o rumo da sua estratégia.
Brizola convocou o deputado Miro Teixeira para uma reunião em seu apartamento em Copacabana, com vista para o mar. Ele designou a Miro uma missão secreta: deveria viajar imediatamente a São Paulo para conversar com Mário Covas, candidato do PSDB que havia obtido a quarta maior votação no primeiro turno. Brizola acreditava que Lula perderia para Fernando Collor, que contava com o forte apoio da direita, e queria sondar a possibilidade de Covas enfrentar Collor no segundo turno.
A missão foi executada com agilidade. No entanto, Covas, em um telefonema no dia seguinte, declinou do convite, alegando que não poderia se considerar o escolhido pelo povo, uma vez que Lula havia sido o candidato mais votado. Assim, a estratégia de Brizola enfrentou um primeiro revés.
Nesse ínterim, a situação interna do PDT estava tensa, com Brizola hesitando em decidir se apoiaria Lula ou não. Para discutir essa questão, um congresso extraordinário do partido foi convocado para o dia 26 de novembro, apenas onze dias após o primeiro turno. Aproximadamente 2.600 delegados e militantes estavam preparados para ouvir Brizola no Riocentro.
Enquanto se dirigia ao congresso, Brizola encontrou uma vizinha que, ao cumprimentá-lo, fez uma observação sobre a necessidade de “engolir aquele sapo barbudo”, referindo-se a Lula. Essa frase parece ter ressoado profundamente em Brizola, que, ao perceber o clima favorável ao apoio a Lula no Riocentro, declarou: "A política é a arte de engolir sapo. Não seria fascinante fazer agora a elite brasileira engolir o Lula, este sapo barbudo?".
A declaração foi recebida com aplausos entusiasmados, sinalizando uma mudança na postura de Brizola. Ele compreendeu que o eleitorado não espera a palavra de seus líderes para decidir seu voto, especialmente em um segundo turno. Essa lição o fez perceber que o povo estava cada vez mais consciente e ativo em suas escolhas.