Os Estados Unidos estão enfrentando dificuldades para efetivar a nomeação de diversos embaixadores em postos ao redor do mundo, mas apenas o Brasil foi alvo de punições por não conceder o aval ao nome de Daniel Pérez, escolhido por Donald Trump para representar os EUA em Brasília. No mesmo dia em que Pérez foi indicado, Trump anunciou outros 19 chefes de missões no exterior, todos ainda sem a posse oficial.
Na sexta-feira, 7 de agosto, o Senado dos EUA aprovou um total de 73 indicações do presidente para postos internacionais, incluindo os 20 nomes indicados em 1º de junho, entre eles o de Pérez. Contudo, até o momento da publicação deste relatório, dados da diplomacia americana indicam que nenhum dos novos embaixadores assumiu suas funções, sugerindo que ainda aguardam a aprovação dos países designados.
O agrément, que é o aval necessário para a nomeação de embaixadores, é uma prática prevista na Convenção de Viena, que regula as relações diplomáticas. Esse processo envolve uma série de consultas e análises sobre o histórico do diplomata indicado, com o objetivo de verificar sua idoneidade para o cargo.
Recentemente, a administração Trump criticou o governo brasileiro, acusando-o de dificultar a efetivação de Pérez. Para pressionar o Itamaraty a aceitar a nomeação, o Departamento de Estado americano tomou a medida de revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti. A diplomacia dos EUA declarou que o visto só será restabelecido quando Pérez for aceito como embaixador no Brasil.
Apesar das alegações feitas por Washington, o governo brasileiro afirma que o processo de análise está ocorrendo de maneira normal. O Itamaraty ressaltou que a indicação de Pérez foi feita sem um pedido formal de agrément, o que quebra protocolos diplomáticos estabelecidos. Embora as Convenções de Viena não especifiquem como devem ser conduzidas as consultas, é prática habitual que essas discussões ocorram de forma reservada entre os Ministérios das Relações Exteriores antes de qualquer anúncio público.