A crescente grilagem em uma das regiões mais sensíveis do Distrito Federal tem gerado preocupações em relação à preservação ambiental. O local, situado próximo ao Privê Lago Norte II e à Serrinha do Paranoá, abriga nascentes que desempenham um papel crucial na recarga hídrica, incluindo as que alimentam o Lago Paranoá. A presença de áreas cercadas, casas de alvenaria e árvores cortadas revela o interesse econômico pela região, que é considerada estratégica para a preservação dos recursos hídricos.
Nos últimos anos, a grilagem não é uma novidade. Diversas operações e vistorias realizadas por órgãos públicos visam combater essas invasões, mas o cenário continua a se agravar. Atualmente, são visíveis cercamentos, demarcações de lotes e a construção de várias residências, o que indica que a situação não apresenta sinais de melhora.
Outro ponto alarmante é a proximidade do Parque Distrital da Serrinha, criado em abril deste ano pelo Governo do Distrito Federal (GDF) com o objetivo de proteger áreas de recarga de aquíferos, nascentes e bacias dos córregos Urubu e Jerivá. O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) informou que as ocupações na região se estendem há anos, com uma fiscalização em setembro de 2021 revelando 55 pontos de ocupação.
O acompanhamento das invasões continuou nos anos seguintes, com a identificação de acessos abertos, alguns deles fechados com correntes, e cercamentos feitos de madeira e arame em maio de 2026. A área em questão faz parte da Área de Preservação Ambiental (APA) do Lago Paranoá, que abrange tanto o Parque Distrital da Serrinha quanto outras áreas relevantes para a preservação.
Moradores da região e frequentadores do parque relatam que, apesar da história de invasões, o interesse pela área aumentou, especialmente após a notoriedade gerada em relação ao Banco Master e sua associação com o Banco de Brasília (BRB). O terreno destinado ao parque possui cerca de 66 hectares, enquanto a Gleba A, que poderia ser capitalizada, abrange uma área de 716 hectares.
O Ibram esclareceu que tanto a Gleba A quanto a área do Parque Distrital da Serrinha do Paranoá, incluindo suas zonas de amortecimento, fazem parte do conglomerado territorial conhecido como Serrinha do Paranoá. A continuidade das invasões e o desmatamento na região colocam em risco a integridade dos recursos hídricos, fundamentais para a sustentabilidade ambiental do Distrito Federal.