Estudantes e professores franceses estão engajados em uma onda de protestos que se intensificou nesta terça-feira (6/10), com manifestações ocorrendo em diversas cidades do país. Os protestos, que tiveram início em setembro, são motivados por queixas sobre as condições precárias do sistema educacional. Durante as manifestações, barricadas foram incendiadas e houve confrontos com a polícia em vários locais.
De acordo com o Sindicato dos Estudantes do Ensino Médio, 1.800 escolas tiveram suas atividades suspensas. Por sua vez, o Ministério da Educação informou que, até o momento, 891 escolas estão afetadas pela paralisação. O Ministério do Interior contabilizou a participação de 86 mil pessoas nas manifestações que ocorreram durante a manhã, com a expectativa de que mais manifestantes se juntassem àqueles que já estavam em Paris.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram grandes aglomerações na praça de Paris, onde os manifestantes exigem respostas do presidente Emmanuel Macron. As manifestações se espalharam para ao menos 33 cidades, incluindo Marselha, Nantes, Toulouse, Lyon e Rennes.
O clima pacífico das manifestações rapidamente se deteriorou, resultando em episódios de vandalismo e violência. O governo francês registrou 215 estudantes, 85 professores e 715 policiais entre os feridos. Um incidente grave ocorreu na cidade de Lens, onde um jovem de 15 anos sofreu a amputação de uma mão devido a uma explosão de granada durante o protesto.
Em uma tentativa de mitigar os ânimos, o Ministério da Educação lançou uma “consulta nacional aos estudantes do Ensino Médio”, que estará disponível entre 5 e 23 de outubro. A iniciativa visa ouvir as demandas dos alunos e buscar soluções para os problemas enfrentados.
O ministro da educação, Édouard Geffray, reconheceu a precarização do ensino na França e afirmou que a normalização das aulas não pode ocorrer sem considerar as reivindicações dos estudantes. Na esfera da segurança pública, o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, convocou 36 procuradores-gerais para orientações sobre a resposta a protestos. Desde o início da onda de violência, 5.060 pessoas foram detidas, sendo 4.406 (87%) menores de idade.