O PSOL do Rio de Janeiro protocolou um recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na noite da última quinta-feira (5/10) para contestar a retirada do recurso de Anthony Garotinho, candidato ao governo do estado, que teve seu registro de candidatura barrado pela Justiça Eleitoral. O partido argumenta que os votos obtidos por Garotinho no primeiro turno devem ser considerados na totalização da eleição, uma vez que essa discussão pode impactar diretamente o resultado inicial e favorecer Douglas Ruas (PL).
Garotinho obteve 274.411 votos, o que corresponde a 3,17% dos votos válidos. Contudo, devido ao indeferimento de sua candidatura, esses votos foram registrados como anulados sub judice no sistema eleitoral. Na segunda-feira (5/10), o ex-governador decidiu desistir do recurso que tramitava no TSE, afirmando que sua decisão era voluntária, definitiva e irretratável. Agora, a Justiça Eleitoral deve analisar as implicações desse pedido sobre o processo eleitoral e a validade dos votos registrados nas urnas.
No primeiro turno, Douglas Ruas (PL) obteve 49,27% dos votos válidos, enquanto Eduardo Paes (PSD) ficou em segundo lugar com 42,76%. Como nenhum dos dois candidatos atingiu mais da metade dos votos válidos, o resultado inicial indicou a necessidade de um segundo turno entre eles. No entanto, essa situação pode ser alterada caso os votos de Garotinho sejam excluídos da contagem. Sem os 274.411 votos do ex-governador, Ruas poderia superar a marca de 50% dos votos válidos e ser declarado vencedor no primeiro turno.
A nova totalização dos votos, entretanto, dependerá da decisão do TSE sobre o pedido de desistência feito por Garotinho. O ministro Floriano de Azevedo Marques, que atua como relator do caso no TSE, estabeleceu um prazo de dois dias após a desistência para que a Procuradoria-Geral Eleitoral se manifeste sobre o pedido. Após a análise do parecer, o ministro decidirá se aceita a retirada do recurso ou se levará a questão para votação no plenário do tribunal.
A controvérsia em torno da validade dos votos pode alterar o resultado da eleição, e enquanto essa questão não for resolvida, Douglas Ruas e Eduardo Paes continuam oficialmente classificados para o segundo turno, agendado para o dia 25 de outubro. A indefinição também gerou reações entre os candidatos. Eduardo Paes questionou a desistência de Garotinho, sugerindo que o episódio poderia impactar a definição do segundo turno. Por sua vez, Garotinho, ao anunciar sua desistência, afirmou ter tomado a decisão de maneira livre e criticou o que chamou de perseguição política.
Com a análise do TSE ainda pendente, permanece a incerteza sobre o desfecho da disputa pelo Palácio Guanabara. O Rio de Janeiro poderá ter um segundo turno entre Douglas Ruas e Eduardo Paes, ou, se os votos de Garotinho forem definitivamente excluídos da totalização, Ruas poderá ser declarado eleito já no primeiro turno.