O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, anunciou uma nova política que impõe restrições de vistos a cidadãos da África do Sul. A decisão, divulgada na terça-feira, 15 de setembro, pelo secretário de Estado, Marco Rubio, visa pessoas que estejam envolvidas em "discriminação racial e incitação à violência" contra minorias no país africano, incluindo um grupo que teve papel central durante o Apartheid.
Rubio esclareceu que as restrições se aplicam a indivíduos que sejam responsáveis ou cúmplices na promulgação ou implementação de leis e políticas que permitam a apropriação indevida de terras, discriminação racial ou incitação à violência iminente contra grupos étnicos ou raciais minoritários na África do Sul.
O secretário de Estado citou os Afrikaners como exemplo de minorias que estariam enfrentando perseguições na África do Sul. Este grupo é composto por descendentes de colonizadores europeus e desempenhou um papel fundamental na segregação social entre 1948 e 1994, período em que o Apartheid foi oficialmente encerrado.
Essa ação dos EUA se insere em uma série de medidas contra a África do Sul desde que Trump assumiu a Casa Branca pela segunda vez, em 2025. O presidente norte-americano acusou o governo sul-africano, liderado por Cyril Ramaphosa, de estar cometendo "genocídio contra brancos" e afirmou que agricultores brancos estariam sendo alvo de confiscos de terras.
Entretanto, não há evidências públicas que comprovem a alegação de genocídio contra a população branca na África do Sul. Já a expropriação de terras, mencionada por Trump, faz parte de uma reforma agrária aprovada no país e visa desapropriar terras abandonadas sem indenização, de acordo com o governo sul-africano. Essa reforma é apresentada como uma forma de corrigir injustiças sociais originadas pelo Apartheid.
A decisão de restringir vistos se alinha a outras ações do governo norte-americano, que, sob a liderança de Trump, revogou ou restringiu vistos de cidadãos de diversos países. Algumas dessas decisões foram posteriormente consideradas ilegais pela Justiça dos EUA e foram anuladas.