Maria Flor abordou em recente entrevista o sofrimento emocional enfrentado por jovens e adolescentes, ressaltando o papel das redes sociais nesse contexto. A atriz, que está em cartaz na peça "O Filho", que trata da depressão de um adolescente de 16 anos, enfatizou a pressão que os jovens sentem para atender aos padrões frequentemente exibidos nas mídias digitais.
A discussão ganha relevância com a chegada de Setembro Amarelo, um período voltado para a conscientização sobre saúde mental e a prevenção do suicídio. Especialistas alertam que é fundamental que pais e responsáveis observem como os jovens se relacionam com o conteúdo que consomem nas redes sociais, indo além de apenas contabilizar horas de uso.
Para Jhoanne Hansen, psicóloga especializada em saúde mental de criadores de conteúdo, a quantidade de tempo gasto nas redes não é o único fator a ser considerado. "Não é apenas uma questão de quantas horas a pessoa passa no celular. Precisamos observar o que ela está fazendo nesse período, como se sente depois e se consegue realmente se desligar", explicou.
A psicóloga fez uma comparação sobre o uso das redes sociais, afirmando que uma pessoa pode passar duas horas conectada de maneira consciente, enquanto outra pode estar online por menos tempo, mas em um estado constante de alerta e comparação. "O impacto psicológico não depende apenas do relógio", completou.
A comparação entre vidas alheias é um dos aspectos mais preocupantes. Imagens de corpos, relacionamentos, viagens e conquistas apresentadas nas redes podem gerar a sensação de que existe um padrão ideal a ser alcançado. "O ambiente digital apresenta uma sucessão de recortes da vida dos outros. Quando consumimos isso sem perceber que estamos diante de uma seleção, podemos ser afetados de maneira negativa", alertou.
Isolamento, mudanças persistentes de humor, alterações no sono e na alimentação, perda de interesse em atividades e dificuldades em manter relacionamentos ou nos estudos são comportamentos que devem ser observados. Camilla Nicolucci, psiquiatra e pesquisadora, destaca que não é necessário esperar uma crise para buscar ajuda. "O cuidado em saúde mental não deve começar apenas quando a pessoa já está em uma situação de crise", declarou.