Autoridades ucranianas se encontrarão com membros da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) para discutir um tema preocupante: o envolvimento de criminosos brasileiros, associados a facções do Rio, em conflitos no Leste Europeu. O encontro está agendado para o próximo mês e busca abordar o intercâmbio de indivíduos que atuam no crime organizado e suas conexões com a guerra na Ucrânia.
Nos últimos meses, a cobertura policial no Rio de Janeiro tem mostrado uma nova dimensão, onde elementos de guerra moderna se tornaram comuns. Casos de uso de drones por grupos criminosos em ataques a facções rivais e autoridades têm se intensificado, lembrando a dinâmica de conflitos em regiões como Ucrânia, Sudão, Mali e Myanmar.
Em maio, a Subsecretaria de Inteligência do Estado do Rio de Janeiro (SSI) revelou que o Comando Vermelho (CV) estaria enviando membros para lutar na guerra da Ucrânia. Esses indivíduos, que se uniram às Forças Armadas ucranianas, tinham como objetivo adquirir experiência militar, para posteriormente repassá-la a aliados no Brasil.
O governo da Ucrânia impõe uma exigência rigorosa: os combatentes estrangeiros que desejam se juntar à luta contra a Rússia não devem ter antecedentes criminais. Isso leva as facções brasileiras a buscarem enviar apenas aqueles que possuem “ficha limpa”, a fim de garantir a adesão aos combates.
Interlocutores da diplomacia ucraniana têm destacado que a colaboração entre as autoridades da Ucrânia e do Brasil ainda é limitada. Diplomatas afirmam que, em muitos casos, Kiev não recebe informações do Brasil sobre criminosos que estariam se deslocando para o país, o que dificulta ações preventivas e de monitoramento.