Muito barulho na própria bolha, pouca credibilidade fora dela.
Na política paranaense, existem personagens que acabam ganhando espaço não necessariamente pela credibilidade do que publicam, mas pela capacidade de provocar, espalhar insinuações e alimentar narrativas convenientes a determinados interesses.
Valdir Cruz tornou-se, aos olhos de seus críticos, um personagem caricato desse ambiente. Dentro da própria bolha, consegue repercussão. Seus conteúdos, porém, levantam questionamentos sobre credibilidade, responsabilidade e os limites entre crítica política e ataques pessoais.
É nesse contexto que cabe uma expressão conhecida nos bastidores da política: idiota útil. Não necessariamente quem comanda o jogo, mas quem acaba fazendo o trabalho que interessa a outros — produzindo barulho, alimentando controvérsias e dando circulação a narrativas que terceiros podem aproveitar politicamente.
Para marqueteiros, assessores de imprensa e profissionais especializados em plantar notícias, personagens assim podem representar um terreno fértil. Basta encontrar quem esteja disposto a dar vazão a insinuações, versões convenientes e histórias bizarras para que o conteúdo ganhe circulação. Quem concebe a estratégia nem sempre precisa aparecer na linha de frente: às vezes, basta encontrar alguém disposto a comprar a ideia e colocá-la em circulação.
A fórmula é conhecida: alguém lança a insinuação, outros repercutem e a mensagem chega ao destino desejado. Quem se beneficia? Essa é uma pergunta legítima, embora qualquer vínculo concreto precise ser demonstrado, não apenas insinuado.
E há outro detalhe que merece atenção: quando uma publicação ultrapassa os limites legais, a responsabilidade não desaparece atrás de uma postagem, de uma rede social ou da alegação de que se trata apenas de opinião. Eventuais processos, condenações e indenizações precisam ser analisados à luz das decisões judiciais de cada caso.
Na fábrica de lorotas, o personagem pode até acreditar que está conduzindo o espetáculo. Mas, às vezes, acaba apenas cumprindo o roteiro de quem está nos bastidores.
No fim, curtidas não são certificados de verdade, repercussão não é sinônimo de credibilidade e repetir uma acusação não a transforma em fato.
Porque, na política, há quem movimente as peças — e há quem, sem perceber ou sem se importar, acabe sendo usado como peça no tabuleiro.
A questão que fica é: Valdir Cruz é o autor da narrativa ou apenas o idiota útil de interesses que preferem permanecer nos bastidores?