A política paranaense entrou em nova fase de tensão nos bastidores e pode ganhar um protagonista inesperado.
A possibilidade de rompimento entre o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, e o PSD do governador Ratinho Júnior começa a redesenhar o tabuleiro eleitoral para 2026. Em meio à turbulência, o principal beneficiado pode ser o senador Sergio Moro, que aparece em posição confortável nas pesquisas de intenção de voto para o governo do estado.
A insatisfação dentro do PL tem origem tanto em disputas locais quanto no cenário nacional. Setores bolsonaristas cobram do PSD uma postura mais dura contra o governo federal, algo que Ratinho Júnior tem evitado ao priorizar a governabilidade e também preservar seu próprio espaço em uma possível corrida presidencial. No Paraná, o embate se concentra na sucessão estadual: enquanto o PSD tenta viabilizar nomes como o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, e o deputado Alexandre Curi, o PL pressiona por protagonismo na chapa.
O cenário ganha contornos ainda mais curiosos com o reposicionamento de Sergio Moro. Embora o PL tenha protagonizado ações judiciais que tentaram cassar o mandato do ex-juiz no passado, sinais recentes indicam uma aproximação política. Interlocutores apontam que o senador Flávio Bolsonaro tem mantido diálogo com Moro, abrindo caminho para uma possível convergência contra o avanço do grupo do PSD e de candidaturas de esquerda no estado.
Pesquisas recentes reforçam a vantagem do senador. Levantamentos do Paraná Pesquisas divulgados em março indicam que Moro lidera todos os cenários testados para o governo do Paraná, chegando perto de metade das intenções de voto. Caso o rompimento entre PL e PSD se confirme, o grupo de Ratinho Júnior pode perder uma fatia importante do eleitorado bolsonarista — espaço que tende a ser ocupado justamente pelo ex-juiz da Lava Jato, transformando a disputa de 2026 em uma das mais imprevisíveis da história política recente do estado.



