Reportagem nacional aponta múltiplos cenários para o palanque do PL no estado; cobertura local enfatiza grupo governista e dá pouca visibilidade à presença de Sergio Moro no documento
A divulgação, pelo portal Metrópoles, de anotações atribuídas ao senador e pré-candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro, sobre os cenários eleitorais do PL, em 2026, abriu debate nos bastidores políticos do Paraná. O manuscrito trata o estado como “situação em aberto” e lista alternativas para a formação de palanque. Entre elas, aparece o nome do senador Sergio Moro (União).
No entanto, na repercussão feita por parte da imprensa paranaense, a presença de Moro no documento teve pouca visibilidade, enquanto nomes ligados ao grupo do governador Ratinho Junior ganharam destaque. Seria esta narrativa uma tentativa de excluir do jogo o senador, que é disparado o pré-candidato ao Governo do Estado com maior visibilidade nas redes sociais?
Acompanhe a análise abaixo:
O que diz a matéria nacional
A reportagem do Metrópoles descreve o conteúdo como anotações estratégicas internas do PL, com:
•Avaliações políticas;
•Possibilidades de composição de palanque;
•Indicações para governo e Senado;
•Conversas em andamento.
No caso do Paraná, dois eixos aparecem no texto:
•O nome de Guto Silva (PSD), associado ao grupo político de Ratinho Jr (PSD);
•A citação de Sergio Moro como opção de palanque.
Não há no material qualquer anotação de veto ou restrição ao nome de Moro.
O enquadramento local
Ao chegar ao noticiário estadual, a abordagem mudou de tom. Blogs políticos destacaram principalmente o alinhamento entre o PL e o grupo do governador, tratando as anotações como indicativo de consolidação de candidatura ligada ao Palácio Iguaçu. Em alguns casos, a leitura foi apresentada como sinalização quase definitiva.
Nesse movimento, três aspectos ficaram em segundo plano:
•O documento descreve cenários, não decisões;
•O nome de Sergio Moro aparece como alternativa viável;
•O PL ainda pode ajustar sua estratégia conforme o cenário presidencial.
A ausência de veto ao senador não foi explorada como elemento relevante da equação política.
O tabuleiro segue aberto
As próprias anotações indicam que o Paraná está em fase de construção estratégica. Entre os registros atribuídos ao documento estão:
•A menção a Filipe Barros como prioridade do PL ao Senado;
•A citação de Deltan Dallagnol como nome que agrada ao partido;
•Observações sobre Cristina Graeml no contexto da disputa senatorial;
•Indicação de que Valdemar Costa Neto teria vetado Fernando Giacobo ao governo.
Dentro desse quadro, Moro aparece como peça possível e não descartada.
Visibilidade e narrativa
Em política, a ênfase muitas vezes molda a percepção pública. Ao priorizar determinados nomes e minimizar outros, a cobertura ajuda a construir a narrativa sobre quem está “forte” ou “fora do jogo”.
No caso do manuscrito revelado nacionalmente, o dado objetivo é que o nome de Sergio Moro consta como opção e não enfrenta objeção formal nas anotações atribuídas a Flávio Bolsonaro. Ainda assim, esse ponto teve tratamento discreto na maior parte da repercussão local.



