Em plenária do Codetri, senador abordou problemas fronteiriços, como segurança e saúde, defendeu a integração com os países vizinhos e fez um balanço do mandato
À plenária lotada do Conselho de Desenvolvimento Trinacional (Codetri), o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) afirmou considerar que há uma inversão de valores em nível federal, por isso é preciso blindar o Paraná. A reunião ocorreu nessa segunda-feira, 16, com lideranças da Argentina, Brasil e Paraguai.
Moro recebeu pautas da região trinacional nas áreas de saúde e segurança e citou experiências como ministro da Segurança Pública, como a criação de uma base de policiamento em Guaíra e de núcleo de operações em Foz do Iguaçu, além da interação das forças. Ele defendeu o processo de integração entre os países vizinhos e disse que o atual governo brasileiro erra no campo diplomático e quanto ao fortalecimento do Mercado Comum do Sul (Mercosul).
O senador, pré-candidato ao governo do Paraná, criticou que três décadas se passaram e a BR-277 ainda não foi duplicada. O modelo de pedágio, acredita, afeta diretamente o Oeste. A energia elétrica não chega com a qualidade exigida pelo setor produtivo. A Rodovia das Cataratas, afirmou, só está sendo concluída em ano eleitoral.
“Perdemos em competitividade. Nossas empresas estão preferindo o Paraguai e cooperativas constroem porto em estado vizinho”, argumentou. “O setor privado cresce exponencialmente, mas precisamos de um salto na gestão, reduzindo a carga tributária e enfrentando os pontos de estrangulamento do nosso estado.”
Demandas da fronteira
Presidente do Codetri, Roni Temp exaltou a importância do diálogo institucional e repassou pautas que permeiam as demandas das localidades dos três países. “Não existe fronteira quando o assunto é saúde. Temos a promessa de um hospital universitário, que não saiu, e, agora, a construção de um estadual. Precisamos avançar”, cobrou.
O presidente do Conselho de Desenvolvimento de Presidente Franco (Codefran), Rogélio Rodrigues, ponderou ao senador sobre a possibilidade de replicar a lei paraguaia de imposto reduzido. Presidente da Câmara de Foz do Iguaçu, o vereador Paulo Debrito (PL) pediu atenção para o que avalia ser a “banalização” da educação e da segurança no trânsito, devido a decisões do governo central.
O presidente da ACIFI, Danilo Vendruscolo, lembrou as ações de Sergio Moro como juiz e sua atuação contra casos de corrupção, à época envolvendo os pedágios. O vereador iguaçuense Soldado Fruet (PL) acrescentou que grandes obras na cidade têm isolado bairros, o que requer olhar e solução. O delegado da Polícia Civil Francisco Sampaio criticou o Supremo Tribunal Federal por decisões que, para ele, avançam sobre o campo legislativo.
“Impasse institucional”
No diálogo promovido pelo Codetri, o senador Sergio Moro mencionou que vê repetir-se na CPI do INSS, no Congresso Nacional, em que atua, situações semelhantes a investigações anteriores. O mesmo ocorreria, segundo ele, com o escândalo do Banco Master — caso em que o parlamentar defende investigação no Congresso. Para Moro, já se ouviam, no passado, afirmações como “delação do fim do mundo”.
“Porém, não deu certo. Seguimos assistindo a uma verdadeira inversão de valores morais no Brasil. O país não tem liderança, estamos em um impasse institucional”, declarou. “Por isso tudo, vamos fazer do Paraná nossa fortaleza em relação aos desvios de Brasília, com um projeto baseado na honestidade e integridade”, finalizou.
(AI Codetri)



