Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), é responsável pelo maior investimento em publicações contrárias ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na primeira semana da campanha do segundo turno. O foco das publicações de Skaf é a oposição à proposta de redução da jornada de trabalho para seis dias de trabalho e um de descanso, que ele caracteriza como uma iniciativa eleitoreira, referindo-se ao projeto como "PEC Boca de Urna".
Skaf criticou a postura de Lula, afirmando que após 18 anos de governo do PT, o presidente só agora se mostra preocupado com a jornada de trabalho. Em suas declarações, ele argumentou que a redução da jornada acarretaria um aumento nos preços.
O montante investido por Skaf em impulsionamento de publicações contra Lula representa 65% do total de aportes identificados, que é consideravelmente inferior ao que foi observado no primeiro turno. Naquela fase, muitos dos conteúdos eram patrocinados por candidatos ao Legislativo. Após Skaf, os maiores investidores foram a página nacional do Republicanos, que destinou até R$ 1,5 mil, e o deputado estadual reeleito Tenente Coimbra (PL), que investiu até R$ 500.
No total, foram identificados 13 anunciantes que publicaram conteúdos contra Lula, somando um investimento de R$ 10,7 mil. A coluna procurou contato com Paulo Skaf, que não respondeu até o fechamento desta matéria, deixando o espaço aberto para suas manifestações.
Paulo Skaf é filiado ao Republicanos, partido que tem como governador Tarcísio de Freitas, e já concorreu ao governo de São Paulo em 2010, pelo PSB, e em 2014, pelo MDB. Filho de imigrantes libaneses do setor têxtil, Skaf fez carreira em sindicatos patronais, alcançando notoriedade em sua campanha de 2014, marcada pelo slogan "Não vou pagar o pato", que contava com um pato inflável gigante em frente à sede da Fiesp durante o governo de Dilma Rousseff (PT).
Atualmente, ele é membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (Cdes), também conhecido como conselhão, do governo de Lula.