Viagens podem variar bastante em suas exigências. Enquanto algumas começam com uma passagem e uma mala, outras pedem um preparo físico adequado, autorizações especiais e a disposição para ficar dias longe das comodidades urbanas. Muitas vezes, os aventureiros podem ficar sem sinal de celular no meio das trilhas, mas, em troca, são recompensados com paisagens praticamente intocadas, silêncio e a sensação de alcançar locais onde poucos turistas estiveram.
Uma seleção da Condé Nast Traveller destaca sete das trilhas mais remotas e belas do planeta. Esses caminhos cruzam geleiras, desertos, montanhas, ruínas milenares e regiões marcadas pela presença de antigas civilizações.
A trilha do Círculo Polar Ártico, na Groenlândia, tem cerca de 160 quilômetros e conecta Kangerlussuaq a Sisimiut. Este percurso atravessa tundras, montanhas e uma sucessão de lagos cristalinos, em uma região com baixa densidade populacional. Parte da trilha passa por Aasivissuit–Nipisat, um local reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, que preserva vestígios de práticas de caça e migrações sazonais realizadas por povos inuítes ao longo de milhares de anos. O isolamento e a falta de cobertura telefônica exigem um planejamento rigoroso.
Na Islândia, a Península de Hornstrandir se destaca. Localizada no extremo norte do país, a região não possui estradas e o acesso é feito normalmente por barco. A partir desse ponto, os viajantes seguem a pé por vales, montanhas e praias selvagens. O circuito destacado tem aproximadamente 68 quilômetros, conectando Hesteyri a Kögur, onde é possível observar raposas-do-ártico, aves marinhas e pequenas construções isoladas. O Visit Iceland recomenda que as excursões sejam conduzidas por profissionais experientes, uma vez que os serviços de barco operam principalmente durante o verão.
Outra trilha notável é a que leva a Montanha Kirkjufell e à cachoeira Kirkjufellsfoss, ambas iluminadas pela luz do sol, que se tornaram pontos turísticos na Islândia. A Rota Lícia, na Turquia, combina a beleza do Mediterrâneo com ruínas de civilizações antigas. Com mais de 500 quilômetros de extensão, essa trilha conecta Ölüdeniz a Antalya, passando por florestas, penhascos, praias e sítios arqueológicos. O portal GoTürkiye menciona que essa rota apresenta diferentes pontos de entrada, permitindo caminhadas curtas ou expedições mais longas, embora alguns trechos exijam boa experiência e condicionamento físico.
Essas trilhas não são apenas destinos para contemplação, mas representam a essência do turismo lento, que valoriza o caminhar sem pressa, minimizando distrações e permitindo observar cada transformação da paisagem. Contudo, o isolamento dessas jornadas também amplia os riscos. Antes de embarcar, é imprescindível verificar alertas atualizados, contratar um seguro que cubra resgates, estudar as condições climáticas e confirmar a necessidade de guias ou permissões. Viajar com segurança deve ser sempre uma prioridade.