A eleição presidencial de 2023 se aproxima, com o dia 4 de outubro sendo um marco decisivo. Lula e Flávio Bolsonaro chegam à reta final em uma situação de competitividade intensa, separados por uma margem estreita nas pesquisas. De acordo com dados do Instituto Real Time Big Data, a rejeição é alta para ambos: 50% dos eleitores rejeitam Lula, enquanto 49% fazem o mesmo em relação a Flávio Bolsonaro. Esse cenário de resistência elevada exige que os candidatos apresentem estratégias para mitigar os medos e convencer os indecisos de que o adversário representa um risco maior.
Cinco forças se destacam como potenciais decisores do pleito. A primeira delas é a narrativa antissistema, que pode ser especialmente influente em momentos de descrença. Flávio Bolsonaro procurará se posicionar como o rival da velha ordem, associando Lula, o PT, o STF e a burocracia a um mesmo sistema de poder. Para essa estratégia, a verdade dos fatos é menos importante do que a capacidade de criar uma percepção compartilhada entre os eleitores.
Por outro lado, Lula, como atual presidente, precisa enfatizar a continuidade e a proteção social. Sua abordagem não se baseia na ruptura, mas sim na segurança proporcionada pelo Estado. Os temas centrais incluem renda, alimentação, energia, emprego e serviços públicos. Assim, os dois candidatos oferecem promessas contraditórias: a quebra do sistema versus a proteção dos mais vulneráveis em tempos incertos.
A segunda força relevante são os programas sociais, que impactam positivamente a vida de milhões de famílias, especialmente no Nordeste e nas áreas periféricas. A percepção do Estado muitas vezes é mediada pelos benefícios financeiros que chegam às casas. Lula buscará transformar essa popularidade em votos, enquanto Flávio precisará garantir a continuidade desses benefícios sem se alinhar ao modelo adotado pelo PT.
Outro fator importante é o recente reajuste de 15% no Bolsa Família, que aumenta o valor mínimo do benefício de R$ 600 para R$ 691. O valor médio do benefício também será elevado, passando de R$ 675 para R$ 777. Este aumento foi anunciado a apenas 17 dias da eleição e poderá ter um impacto significativo na decisão dos eleitores.
A quarta força envolve a crise que afeta o STF e seu papel como ator político. A ligação de André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro, a possíveis escândalos pode prejudicar a imagem da oposição, que busca se posicionar como a alternativa mais pura. Lula tentará associar os problemas ao governo anterior, buscando uma apuração abrangente. O desdobramento dessa crise poderá afetar politicamente os dois lados, dependendo do resultado das investigações.