Receber pessoas queridas é sempre um grande prazer. Quem recebe procura oferecer o
seu melhor, não apenas em relação ao menu ou às bebidas, mas principalmente com a
intenção de fazer com que cada convidado se sinta esperado e acolhido.
E o sucesso da recepção começa já no tocar da campainha. Abrir a porta com alegria,
receber cada pessoa com um sorriso sincero e fazê-la sentir-se à vontade pode ser mais
importante do que a mesa, a decoração ou outros detalhes também preparados com
carinho.
Para esse primeiro momento, água, café e algumas bebidas disponíveis são sempre bem-
vindos. Petiscos práticos também podem acompanhar a conversa, especialmente porque
os convidados nem sempre chegam ao mesmo tempo e esse é o primeiro momento de
integração entre todos, sejam conhecidos ou não.
Na chegada, é natural mostrar onde deixar casacos e bolsas, indicar o lavabo ou
banheiro social e apresentar a área social da casa. E essa área pode envolver mais de um
ambiente, dependendo de como a recepção foi planejada. Pode ser a sala, a varanda, o
espaço da mesa e, em algumas casas, até mesmo a cozinha, quando integrada aos
demais ambientes.
Mas até onde deve ir esse convite para conhecer a casa? Não é raro que, diante de uma
recepção, algum convidado peça para conhecer toda a residência. E é aí que uma
situação simples pode se transformar em uma pequena saia-justa para o anfitrião.
O fato de ter sido convidado para uma casa não significa que o visitante tenha acesso a
todos os seus ambientes. A área social é aquela destinada à convivência e à recepção; a
área íntima, por sua vez, preserva a privacidade de quem mora ali. Quartos, banheiros
de uso privativo, closet e outros espaços particulares não precisam ser apresentados, a
menos que o próprio anfitrião tenha vontade de fazê-lo.
Mas o que fazer quando o pedido acontece? A elegância está justamente em não
transformar a recusa em constrangimento. Não é preciso inventar desculpas, tampouco
demonstrar incômodo. Uma resposta simples e natural pode ser suficiente: “Depois,
quem sabe, podemos conhecer melhor a casa” ou, se for o caso, “Os quartos não estão
preparados para receber visitas hoje”.
O importante é que o anfitrião não se sinta obrigado a abrir espaços que não fazem parte
da recepção. Receber bem não significa mostrar tudo; significa acolher com
generosidade, estabelecer limites com delicadeza e fazer com que o convidado perceba
que há um lugar para ele naquela casa, sem esquecer que também há espaços que
pertencem à intimidade de quem a habita.
Uma exceção bastante natural acontece quando a própria recepção foi organizada para
comemorar uma mudança de endereço e apresentar a nova residência aos convidados.
Nesse caso, conhecer a casa faz parte do propósito do encontro e, naturalmente, o
anfitrião poderá conduzir essa visita.
A verdadeira hospitalidade não está em abrir todas as portas, mas em saber quais abrir e
fazê-lo sempre com espontaneidade, respeito e elegância.
Mônica Cecilio – @magiadamesa
