O mercado financeiro não considera viável a antecipação do Desenrola 3.0, conforme apurado. As instituições financeiras ainda estão em um estágio preliminar de diálogo com o Ministério da Fazenda para definir os critérios relacionados às compras de carteiras de dívida.
Com o segundo turno das eleições se aproximando, marcado para o dia 25 de outubro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia a possibilidade de antecipar o cronograma da medida. Contudo, fontes do setor financeiro apontam que tal decisão não seria adequada, especialmente devido à relutância dos bancos em se comprometerem com o debate em um contexto eleitoral.
Um interlocutor do setor financeiro expressou preocupações sobre como a antecipação poderia ser interpretada politicamente. Além disso, a antecipação de uma fase do programa não garantiria que os consumidores teriam a oportunidade de renegociar suas dívidas antes da votação.
A operação do programa ainda depende da definição das regras para a seleção e compra das carteiras de crédito, bem como das condições que serão oferecidas aos devedores. Esses aspectos continuam em discussão entre o governo e as instituições financeiras.
Caso o governo decida avançar com a antecipação do Desenrola 3.0, especialistas acreditam que isso se restringiria a uma fase inicial de cadastro das instituições financeiras. Isso se deve à necessidade de decidir o montante das dívidas a serem adquiridas e os critérios a serem utilizados.
No final de setembro, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) havia manifestado uma recepção positiva ao anúncio do Desenrola 3.0, destacando a expectativa de que o programa auxiliasse na redução do endividamento das famílias e contribuísse para a melhoria do ambiente de crédito. No entanto, isso não implica que o calendário do programa possa ser acelerado, devido a questões técnicas.