Uma jovem, identificada como Najmeh Amini e com apenas 23 anos, foi condenada à pena de morte no Irã sob a acusação de blasfêmia devido a uma publicação realizada em suas redes sociais. Atualmente, ela se encontra detida na Prisão Central de Mashhad, que é a segunda maior cidade do país.
De acordo com a ONG Ativistas de Direitos Humanos no Irã (HRAI), a defesa de Amini alega que a jovem não tinha a intenção de ofender, afirmando que estava em estado de embriaguez e que havia consumido cogumelos alucinógenos. “Eu havia consumido cogumelos alucinógenos com alguns amigos e, em estado alucinatório, postei essas frases nas redes sociais após me deixar levar pela atmosfera”, relatou a jovem. Contudo, os argumentos apresentados não foram aceitos na primeira instância do julgamento. O caso será submetido a uma nova análise em segunda instância.
No Irã, a blasfêmia é um crime severamente punido, com a pena de morte sendo uma das sanções possíveis. As últimas execuções relacionadas a este tipo de crime ocorreram em 2023, quando Yousef Mehrdad e Sadrollah Fazeli Zare foram executados. A HRAI expressou sua preocupação com a condenação de uma jovem por uma expressão pacífica nas redes sociais, considerando que isso estabelece um perigoso precedente para a aplicação da pena de morte em casos semelhantes.
Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da organização Iran Human Rights, destacou que a condenação de Najmeh Amini é um desenvolvimento alarmante. Ele enfatizou que a legislação iraniana prevê que, caso uma pessoa cometa o crime de blasfêmia sob coerção, inadvertência, erro, em estado de embriaguez, ou por um lapso de língua, essa pessoa não deve ser considerada insultadora do profeta.
A situação da pena de morte no Irã é preocupante; em 2026, o país registrou 635 execuções, das quais duas foram de menores de idade e 23 de mulheres. Cerca de 87% dessas execuções foram relacionadas a crimes comuns, como homicídio e delitos associados a drogas. Desde 2010, o total de execuções no Irã chega a 11.078, refletindo uma política rigorosa e frequentemente contestada sobre a aplicação da pena capital.