A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito (FEDD) expressou sua preocupação com a possível vitória de Flávio Bolsonaro, afirmando que isso representaria um retrocesso social para o Brasil. O grupo, que declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticou o candidato do Partido Liberal (PL) por supostamente manipular a religião em benefício de sua candidatura.
O pastor Ariovaldo Ramos, um dos coordenadores da frente evangélica, ressaltou que a decisão de apoiar Lula foi motivada pela forma como Flávio Bolsonaro utiliza a religião para fins políticos. "Flávio Bolsonaro manipula a religião a favor de sua candidatura de forma escancarada, por isso decidimos tomar uma posição e apoiar a manutenção do atual governo, liderado por Lula", afirmou Ramos, destacando que a vitória do candidato do PL seria um retrocesso civilizatório.
A manifestação da frente evangélica ocorreu em resposta a declarações de Flávio Bolsonaro, que mencionou sua intenção de usar a influência adquirida pela direita no Congresso Nacional para promover mudanças na Constituição Federal, visando uma "redemocratização" do Brasil. Essa declaração foi feita em um evento em Goiânia, onde Flávio recebeu o apoio de Ronaldo Caiado, candidato do PSD à Presidência, e de Daniel Vilela, governador reeleito pelo MDB.
Após a repercussão de suas palavras, Flávio detalhou que as propostas de revisão constitucional incluíam temas como maioridade penal e o fim da reeleição, o que gerou temor entre os apoiadores de Lula, especialmente entre os que compõem a frente evangélica. Este grupo, que já apoia a esquerda há algum tempo, foi criado em 2016, durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Roussef, e busca se distanciar das políticas defendidas pela Frente Parlamentar Evangélica (FPE).
As pautas da FEDD incluem a defesa da democracia, dos direitos humanos e a proteção das minorias. O grupo se alinha ao campo progressista e critica a atuação de algumas igrejas evangélicas, que, segundo eles, se concentram na busca de emprego e melhora de vida entre a população mais pobre.
Durante uma reunião, Lula comentou sobre a importância das igrejas evangélicas para a população em situação de vulnerabilidade, mencionando que muitas pessoas buscam essas instituições em busca de esperança e apoio. Ele ilustrou essa situação com o relato de um homem que, diante de dificuldades financeiras, encontra ânimo nas mensagens de prosperidade veiculadas por algumas dessas igrejas.