O Governo do Distrito Federal (GDF) qualificou a greve anunciada pelo Sindicato do Rodoviários, iniciada no domingo (27/9), como uma ação “político-eleitoreira”. O Palácio do Buriti informou que já tomou medidas legais junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT-DF) para contestar a paralisação, que é vista como ilegal e prejudicial à circulação de pessoas, especialmente em razão das eleições marcadas para o próximo domingo (4/10).
A nota oficial do governo destaca a importância do diálogo e reconhece o direito dos trabalhadores em pleitear melhorias salariais e condições de trabalho. Entretanto, o GDF expressa sua insatisfação com o fato de que a liderança do sindicato, que é vinculado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), apoia um candidato adversário nas eleições, o que, segundo o governo, distorce a luta dos trabalhadores.
Desde julho, o GDF mantém uma mesa de negociação aberta com as empresas do setor, onde mais de dez propostas foram apresentadas. O governo considera que a recusa do sindicato em avançar nas negociações é uma postura de intransigência que impede os trabalhadores de conquistarem ganhos reais. Para o GDF, a greve tem motivações político-partidárias, o que desvirtua as reivindicações legítimas da categoria.
O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) já solicitou apoio à Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade para garantir o funcionamento adequado das linhas de transporte público durante o período eleitoral. Em resposta, a Secretaria autorizou a adoção da tabela horária de dias úteis para os dias de votação, assegurando a oferta dos serviços de transporte público coletivo. De acordo com a legislação, o transporte será gratuito durante as eleições, que ocorrem aos domingos.
Além disso, o GDF solicitou ao Judiciário trabalhista a definição de limites mínimos para a operação do transporte, ressaltando a importância do serviço para milhos de usuários, incluindo trabalhadores, estudantes e idosos. O governo enfatizou que a greve não deve se transformar em um instrumento de pressão que penaliza quem não possui alternativas de deslocamento.
As concessionárias de transporte afirmam que a categoria vem sendo valorizada ao longo do tempo. Desde o início do contrato de concessão, o salário dos motoristas aumentou 151%, passando de R$ 1.607,05 para R$ 4.034,60, enquanto a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), foi de 97% no mesmo período. As empresas ressaltaram que a proposta atual de reajuste representa um aumento superior a 60 pontos percentuais em relação à inflação.