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Mulher processa plataforma de apostas após prejuízo de R$ 100 mil com transtorno do jogo

Uma mulher diagnosticada com transtorno do jogo patológico entrou com uma ação judicial na Justiça do Distrito Federal contra uma plataforma de apostas, após movimentar aproximadamente R$ 393 mil em cerca de 3,7 mil apostas. O processo aponta que, desse total, cerca de R$ 290 mil retornaram na forma de créditos e ganhos, resultando em um prejuízo estimado de aproximadamente R$ 100 mil.

A consumidora afirma que começou a utilizar a plataforma em maio de 2024 e desenvolveu o transtorno, conforme diagnóstico de um profissional de saúde mental. Ela relata que fez depósitos sucessivos em curtos intervalos de tempo, continuando a apostar mesmo após perder todo o saldo disponível. Em um dos relatos, a mulher teria depositado R$ 100 e perdido o valor em poucos minutos, repetindo essa ação outras nove vezes na mesma noite.

Os registros apresentados no processo indicam que a consumidora realizou 136 saques que ultrapassaram R$ 180 mil. Apesar de evidências de comportamento compulsivo, a plataforma teria continuado o relacionamento comercial com a apostadora, oferecendo até mesmo um gerente pessoal de conta, além de bônus e vouchers.

Ao analisar o pedido de tutela de urgência, a 4ª Vara Cível de Brasília decidiu pelo bloqueio integral da conta da mulher na plataforma de apostas em agosto deste ano. O juiz também determinou que a consumidora fosse inserida nas bases de autoexclusão da empresa, impedindo-a de criar um novo cadastro utilizando dados alternativos. Essa medida deve ser aplicada a todas as marcas e plataformas pertencentes ao mesmo grupo econômico.

A decisão judicial menciona o artigo 26, inciso VI, da Lei nº 14.790/2023, que proíbe a participação de pessoas diagnosticadas com ludopatia em apostas. Um laudo médico apresentado pela mulher atesta o transtorno, corroborando suas alegações.

Além disso, a recente Medida Provisória (MP) relacionada ao tema trouxe mudanças significativas. As plataformas de apostas têm até 23h59 do dia 5 de outubro para remover todas as suas publicidades em meios físicos e digitais, bem como marcas oriundas de contratos de patrocínio. O governo também intensificará a remoção de sites ilegais e as investigações sobre movimentações financeiras, por meio de uma força-tarefa que reunirá diferentes órgãos.

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