O ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, esteve diretamente envolvido com a OnilX, uma empresa de criptomoedas que atualmente enfrenta sérios problemas financeiros, resultando em calotes para dezenas de investidores. Os aportes feitos na companhia foram prometidos com rendimentos de até 2,8% ao mês, mas a realidade se mostrou diferente para aqueles que confiaram seus recursos ao grupo.
A OnilX foi alvo de uma stop order emitida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no início deste ano, devido à oferta irregular de valores mobiliários. A empresa agora responde a mais de uma centena de processos nas Justiças de diversos estados, incluindo Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Alagoas e Pará. Os investidores alegam que foram enganados e suspeitam que a empresa esteja operando como um esquema de pirâmide financeira, visto que não conseguem resgatar os valores investidos, apesar das promessas de “alta liquidez”.
Paulo Guedes, conhecido por sua proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro, desempenhou um papel ativo na OnilX, onde dava palestras, consultorias e recebia investidores. Sua imagem era utilizada em materiais publicitários da empresa, e ele participava de reuniões estratégicas com parceiros comerciais. Em uma publicação no perfil da OnilX, Guedes foi visto ao lado do proprietário da empresa, Fábio Lino, e de executivos da Visa, em uma reunião considerada “de alta relevância estratégica” para integrar as stablecoins no cotidiano das pessoas. A mesma postagem o descreve como alguém que oferece “suporte e visão” à OnilX.
Apesar de sua intensa relação com a empresa, Guedes não está listado no quadro da OnilX, que vem atuando no mercado de ativos virtuais por cinco anos. A OnilX defende que suas operações incluem serviços de compra, venda, troca, intermediação e custódia de criptomoedas. A empresa argumenta que a notificação da CVM não implica uma proibição geral de suas atividades, mas se refere a operações que possam ser vistas como oferta ou intermediação de valores mobiliários.
A OnilX afirma que as operações com criptomoedas como Bitcoin, Ether e USDT, desde que não envolvam promessas de rentabilidade ou contratos de investimento, não estão cobertas pela restrição da CVM. Além disso, a empresa sustenta que não atua como gestora de investimentos e não promete rentabilidade fixa, nem oferece Contratos de Investimento Coletivo, o que a distancia das acusações que enfrenta atualmente.