O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (22/9) que todos os candidatos que recebeu apoio em eleições na América Latina foram bem-sucedidos. Em um evento do Escudo das Américas, realizado em Nova York, Trump afirmou ter um índice de sucesso de "nove em nove" entre os candidatos endossados por ele.
Trump ressaltou: "Até agora, acho que estou nove em nove. Todos que apoiei venceram", enquanto estava ao lado de líderes e representantes de países da região. Ele mencionou como exemplo a eleição do presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, além de destacar vitórias na Argentina, referindo-se ao aliado Javier Milei, a quem havia apoiado publicamente durante a campanha.
O novo presidente colombiano faz parte do Escudo das Américas, uma iniciativa liderada por Washington que visa aumentar a cooperação regional no combate ao narcotráfico e ao crime organizado, bem como a outras ameaças à segurança. Durante o evento, Trump comentou sobre uma "grande mudança" política nos países latino-americanos, associando o avanço de governos de direita à agenda de segurança defendida pela coalizão.
As declarações de Trump coincidem com a divulgação de um relatório reservado da Abin, que alertou sobre o risco de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou a ingerência externa em processos eleitorais e defendeu a soberania nacional em seu discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, afirmando que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém".
Logo após as declarações de Trump, os Estados Unidos, juntamente com outros 14 países, anunciaram uma ação conjunta contra ameaças comuns, que inclui Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. O Brasil, no entanto, não faz parte dessa coalizão.
A ofensiva dos Estados Unidos ocorre em um contexto de crescentes críticas ao governo Lula na área de segurança. Recentemente, a Casa Branca divulgou uma lista de países considerados grandes produtores ou pontos de trânsito de drogas ilícitas. O documento incluiu 23 países e destacou quatro — Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia — como aqueles que falharam de maneira significativa em cumprir compromissos internacionais de combate às drogas. Embora o Brasil não esteja entre os quatro mencionados, o governo americano fez críticas específicas ao país, apontando falhas no enfrentamento ao Primeiro Comando e ao Comando Vermelho, e exigiu ações mais rigorosas contra essas organizações.