A bancada do PT na Bahia, juntamente com a federação PT-PCdoB-PV, protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para ter acesso integral aos autos da investigação relacionada ao Caso Master, que envolve o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, do União Brasil. Neto, que almeja retornar ao governo baiano nas eleições de 2026, está no centro dessa solicitação.
Esse pedido vem à tona após a Polícia Federal (PF) ter solicitado autorização para realizar busca e apreensão contra Neto na recente operação Overclean, um requerimento que foi negado pelo ministro Nunes Marques, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A negativa levanta questões sobre a condução das investigações e a igualdade de tratamento entre os políticos envolvidos.
Na petição apresentada ao presidente do STF, Edson Fachin, o PT ressalta a importância de verificar o conteúdo integral da investigação e questionar se houve tratamento desigual em relação a diferentes grupos políticos. O partido menciona uma decisão anterior de Fachin, que determinou o levantamento do sigilo sobre procedimentos ligados ao Caso Master, mas sustenta que os documentos referentes a ACM Neto ainda permanecem sob sigilo.
Os petistas argumentam que o ministro André Mendonça, em uma decisão anterior, havia reconhecido a existência de tratativas e relatórios da PF envolvendo ACM Neto e Antônio Rueda, presidente do União Brasil. Além disso, afirmam que Mendonça teria reconhecido que não existem medidas cautelares pendentes no caso, o que, segundo eles, não justificaria a manutenção do sigilo.
A comparação entre o tratamento dado a ACM Neto e ao senador Jaques Wagner (PT-BA) também é uma parte central da petição. Wagner foi alvo de uma fase da Operação Compliance Zero em junho, quando Mendonça autorizou buscas e medidas cautelares contra ele e outros investigados. A diferença de tratamento entre os dois casos é uma preocupação expressa pelo PT, especialmente em um período pré-eleitoral.
O partido enfatiza que a manutenção do sigilo sobre a investigação de ACM Neto, enquanto outros adversários políticos foram expostos em operações policiais, pode comprometer a igualdade de condições na disputa eleitoral. Neto concorre ao governo da Bahia contra o atual governador, Jerônimo Rodrigues, do PT, que está no poder há quase 20 anos consecutivos.