Ciro Rocha Soares, advogado com forte atuação em Brasília, é uma figura central nas relações entre o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Sua capacidade de intermediar contatos com autoridades do Judiciário é amplamente reconhecida, e ele é conhecido entre amigos pela habilidade em articular audiências com figuras influentes durante suas frequentes viagens entre Salvador, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília.
Recentemente, Ciro ganhou destaque em meio à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal, à medida que conversas de Vorcaro revelaram tentativas de facilitar encontros entre o banqueiro, atualmente preso, e diversas autoridades. Desde o início da crise que envolveu o Banco Master, Ciro atuou como um dos advogados de defesa de Vorcaro, ao lado de Roberto Podval. No entanto, após a decisão de Vorcaro de seguir com uma delação premiada, Ciro se afastou do caso, o que não afetou sua amizade com o banqueiro, que ele afirma não abandonar em tempos difíceis.
A amizade entre Ciro e Vorcaro se iniciou há aproximadamente seis anos em um camarote Do Mineirão, durante um jogo entre Atlético-MG e Athletico-PR. Naquele momento, Vorcaro era patrocinador do time e a introdução do advogado se deu por Saulo Wanderley, empresário do setor da construção civil. Desde então, a relação evoluiu para uma parceria profissional, com Ciro se tornando um importante interlocutor de Vorcaro em questões relacionadas a Brasília.
A conexão de Ciro com Vorcaro é apenas uma parte de uma rede maior que ele construiu ao longo de sua carreira. Antes de se aproximar do banqueiro, Ciro estabeleceu laços com o Tribunal de Justiça da Bahia, onde foi apoiado pelo então desembargador Carlos Alberto Dultra Cintra, que presidiu a Corte e faleceu em 2023.
No âmbito empresarial, Ciro mantém relações com Marcelo Pessoa, um executivo do mercado financeiro e sócio-sênior da Galapagos Capital. Mensagens de celular entre Vorcaro e Pessoa foram anexadas a relatórios da Polícia Federal, revelando que Ciro tentou incluir Pessoa em uma viagem a Londres, proposta que foi vetada por Vorcaro. Marcelo Pessoa é também o proprietário da Ilha Parapituba, administrada pela Prime You, que faz parte do círculo social de Ciro. A ilha, que foi vendida em 2023, esteve sob investigação da Polícia Federal devido à suposta utilização para a divulgação de substâncias clandestinas, incluindo tirzepatida, ativo do Mounjaro.
Assim, a figura de Ciro Rocha Soares emerge como uma ponte entre diversos segmentos da sociedade brasileira, refletindo a complexa intersecção entre o direito, a política e o empresariado no país.