O ex-general sérvio Ratko Mladic, famoso por seu papel na guerra da Bósnia e condenado a prisão perpétua por genocídio e crimes contra a humanidade, receberá honras de Estado em seu funeral na Sérvia. Conhecido como "Açogueiro da Bósnia", Mladic faleceu na quinta-feira, dia 27 de agosto, aos 84 anos.
O anúncio da realização do funeral com honras militares foi feito pelo ministro da Justiça da Sérvia, Nenad Vujic, em declaração à emissora estatal do país. Mladic estava detido na Unidade de Detenção da ONU, localizada em Haia, nos Países Baixos, e foi preso em 2011, após quase 16 anos foragido. Em 2017, foi sentenciado à pena de prisão perpétua pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).
O governo sérvio está aguardando informações da cidade de Haia, onde está situado o TPI, para organizar o translado do corpo do ex-general. O presidente da Sérvia, Aleksandar Vučić, afirmou que respeitará o desejo dos familiares de Mladic, garantindo que, se a família optar pela sepultura na Sérvia, a cerimônia será organizada de forma digna e respeitosa.
A guerra da Bósnia, que ocorreu entre 1992 e 1995, em decorrência da dissolução da Iugoslávia, resultou em aproximadamente 100 mil mortes e milhões de deslocados. Mladic é amplamente responsabilizado pelo Massacre de Srebrenica, que ocorreu em julho de 1995, onde cerca de 8 mil homens e meninos muçulmanos foram mortos.
Além disso, Mladic foi um dos principais responsáveis pelo cerco de Sarajevo, considerado o mais longo cerco militar da história moderna, que se estendeu de abril de 1992 a fevereiro de 1996. Este cerco impôs condições extremas à população, que ficou sem acesso a água, eletricidade, alimentos e medicamentos.