O Ministério da Cultura (MinC) está avaliando as possíveis ações administrativas contra um servidor público federal, Pablo Silva Santiago, após a sua liberação por habeas corpus. Ele foi detido por filmar mulheres nuas, prática que envolveu troca de vídeos de necrofilia. O MinC informou que aguarda o resultado da perícia realizada pela Polícia Civil (PCDF) para determinar as providências necessárias que podem incluir um processo administrativo e sanções severas, como a expulsão do cargo.
Em nota oficial, o ministério reafirmou que caso as evidências sejam confirmadas, poderá ser instaurado um processo administrativo acusatório. Além disso, a instituição estuda a possibilidade de aplicar medidas cautelares, como a restrição de acesso de Pablo às dependências do ministério. O MinC enfatizou que continuará acompanhando o caso e colaborando com as investigações, mantendo o sigilo necessário.
Pablo Silva Santiago foi afastado por 60 dias quando os crimes foram descobertos, mas informações do Portal de Transparência do Governo Federal mostram que ele continuou recebendo seu salário durante o período em que esteve preso. Somente em 2023, até junho, o servidor acumulou um total de R$ 34,7 mil, com vencimentos mensais de R$ 7,7 mil, incluindo gratificação natalina. Contudo, não há dados disponíveis sobre os pagamentos recebidos entre maio, quando ocorreu sua prisão, e dezembro de 2025.
O habeas corpus foi concedido no início de setembro pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde o ministro Reynaldo Soares da Fonseca revogou a prisão preventiva de Pablo. No entanto, ele impôs medidas cautelares, como acompanhamento psicológico e psiquiátrico, além da proibição de aproximação das vítimas. Na análise, o ministro considerou que a manutenção da prisão era desproporcional em relação ao tempo que o réu já havia cumprido, considerando a pena prevista para o crime.
As investigações revelaram que Pablo confessou a prática criminosa a amigos, que descobriram o material em seu computador. Este conteúdo incluía milhares de fotos e vídeos íntimos de mulheres, organizados com datas e nomes, e havia registros desde 2017. Os vídeos mostravam mulheres em situações íntimas, incluindo cenas em banheiros, gravados sem o consentimento delas.
Pablo foi preso em maio de 2025 e permanece detido. O processo segue em segredo de Justiça, o que limita o acesso a mais informações sobre os desdobramentos do caso.