A poucos dias de vir a público, uma pesquisa sobre a disputa pelo Palácio Iguaçu acabou barrada pela Justiça Eleitoral do Paraná — não pelo cenário que projetava, mas por inconsistências que colocaram em xeque sua credibilidade.
A decisão partiu da desembargadora federal Gisele Lemke, do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, que determinou a suspensão da divulgação do levantamento do Instituto Veritá. A sondagem, que tratava da corrida ao governo estadual e ao Senado, estava prevista para ser publicada neste domingo (29).
O pedido de suspensão foi apresentado pelo Democracia Cristã (DC), presidido no estado por Ricardo Gomyde. A legenda apontou uma série de problemas no material, incluindo um erro considerado central: o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, foi identificado no questionário como integrante do PSD, apesar de atualmente estar filiado ao MDB.
Para a magistrada, a falha vai além de um simples equívoco. Na decisão, ela afirma que o erro “aponta indícios de manipulação da pesquisa”, com potencial de comprometer o direito à informação do eleitor caso os dados fossem divulgados.
Outro ponto que pesou contra o instituto foi a divergência entre o registro oficial da pesquisa no sistema do Tribunal Superior Eleitoral e o conteúdo efetivamente aplicado aos entrevistados. Enquanto o cadastro indicava levantamento para cargos proporcionais e Senado, o questionário incluía também a disputa pelo governo do estado.
Segundo Gisele Lemke, esse desencontro fere normas da legislação eleitoral, especialmente no que diz respeito à obrigatoriedade de correspondência entre as informações registradas e o questionário utilizado. “Caracteriza vício apto a ensejar a suspensão e a nulidade da pesquisa”, destacou no despacho.
Além disso, o DC também questionou aspectos técnicos do levantamento, como a descrição genérica das fontes de dados e a ausência de detalhamento metodológico. Esses pontos, no entanto, ainda serão analisados após manifestação do Instituto Veritá, que terá prazo de dois dias para se posicionar.
Nos bastidores, a decisão reforça o grau de rigor da Justiça Eleitoral em um momento pré-eleitoral sensível, em que pesquisas têm papel estratégico na formação da opinião pública — e qualquer inconsistência pode gerar efeitos políticos relevantes antes mesmo da abertura oficial das urnas.



