Nos bastidores do Paraná, a reaproximação entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol caiu como um raio.
O que antes era tratado com desconfiança — a suposta falta de articulação política de Moro — virou, de uma hora para outra, um movimento digno de jogo de xadrez. E dos mais sofisticados.
O acordo entre os dois já foi selado, comunicado ao governador Ratinho Júnior, e ganha musculatura com a entrada do Partido Novo no campo de apoio.
Mas o movimento mais simbólico — e que deixou adversários estarrecidos — foi outro: Moro garantiu sua filiação e será candidato ao governo pelo Partido Liberal. Um desfecho que contraria prognósticos negativos e frustra a torcida contrária, que apostava justamente na sua dificuldade de viabilizar uma legenda competitiva.
A leitura nos bastidores é direta: longe de estar isolado, Moro mostra que aprendeu a jogar o jogo político — e a jogar para vencer.
E mudou mesmo.
Adversários, que até então apostavam na inviabilidade da candidatura, ficaram — nas palavras que circulam nos corredores — “arrepiados”. O que se vê agora é um candidato que começa a empilhar movimentos cirúrgicos, desmontando narrativas e surpreendendo até aliados mais céticos.
Um dos mais atingidos por esse novo desenho seria Ricardo Barros, que apostou alto em uma articulação envolvendo Rafael Greca. O movimento, no entanto, não saiu como esperado: Greca acabou migrando para o MDB, frustrando a estratégia e alterando o equilíbrio dentro da federação formada por União Brasil e Progressistas.
O efeito dominó já começou.
Hoje, nomes como Alexandre Curi, com provável caminho pelo Republicanos, e Guto Silva, apontado como o candidato do PSD com o respaldo do Palácio, observam o tabuleiro com atenção redobrada. No mesmo cenário, Requião Filho também se mantém como peça relevante nesse xadrez em constante movimento.
Enquanto isso, outras candidaturas orbitam o processo, como o Missão, compondo um quadro ainda aberto — mas cada vez mais tensionado.
No centro de tudo, a reedição da parceria que ganhou projeção na Operação Lava Jato agora volta com um objetivo claro: poder. Moro para o governo, Deltan para o Senado.
Se antes havia dúvida sobre viabilidade, agora o sentimento dominante entre adversários é outro: alerta máximo.
Porque, no xadrez da política, quando alguém começa a dar sequência de movimentos inesperados, não é só estratégia — pode ser o início de um xeque-mate.



