Nos bastidores da política paranaense, uma pergunta começa a circular com mais frequência entre jornalistas, analistas e atores políticos: quem pauta quem no estado hoje?
O debate ganhou força nos últimos meses por causa de um fenômeno curioso. Enquanto pesquisas divulgadas apontam índices próximos de 80% de aprovação para governos e administrações locais, cresce também a percepção de que o ambiente informacional do estado está cada vez mais concentrado.
Não se trata apenas de narrativa política. Existe uma estrutura que ajuda a explicar o fenômeno.
Uma parte significativa de blogs, portais e páginas de análise política no Paraná mantém contratos de publicidade institucional com estruturas do poder público. Uns com o Executivo estadual. Outros com estruturas vinculadas ao Legislativo.
Publicidade oficial é instrumento legítimo de comunicação. Nenhum problema nisso.
O problema começa quando o financiamento institucional passa a influenciar, ainda que informalmente, o comportamento editorial.
Nos bastidores da comunicação política paranaense, já virou comentário recorrente: determinados conteúdos simplesmente desaparecem quando incomodam o grupo político dominante.
Matérias positivas para lideranças fora da aliança governante frequentemente deixam de circular ou são retiradas do ar sem explicação pública.
Isso tem acontecido especialmente quando o conteúdo envolve possíveis concorrentes eleitorais ou nomes que disputam espaço político fora do círculo de poder.
Em alguns episódios recentes, análises sobre o desempenho nas redes sociais do senador Sérgio Moro foram publicadas por portais locais e posteriormente removidas sem qualquer esclarecimento editorial.
Pode ter sido decisão interna. Pode ter sido revisão de conteúdo.
Mas quando episódios semelhantes começam a se repetir, a pergunta inevitável surge nos bastidores:
foi decisão editorial… ou telefonema político?
Esse tipo de situação revela um problema maior: quando boa parte do ecossistema de comunicação depende financeiramente da publicidade estatal, o risco de alinhamento editorial deixa de ser teórico.
Ele passa a ser estrutural.
E em ambientes onde o contraditório perde espaço, a opinião pública pode acabar refletindo mais o volume da narrativa dominante do que a diversidade real de opiniões existentes na sociedade.
Isso não invalida pesquisas de opinião.
Mas levanta uma questão que qualquer democracia madura deveria discutir com transparência:
índices de aprovação refletem percepção espontânea da população ou também o ambiente de informação em que essa percepção é construída?
Porque quando a notícia que incomoda desaparece, o silêncio também comunica.
E comunica muito.



